terça-feira, 13 de abril de 2010

Quem é esse Schleper? Terceira edição!

Sababah sem um colunista Schleper não é Sababah. Alguma ideia de quem é a figura da vez? Leia o texto novamente!

Como assim, novamente? É isso mesmo! A terceira edição da Sababah já está circulando pela Comunidade. Pegue a sua na entidade mais próxima ou no prédio da Federação Israelita. Qualquer dúvida, envie um email para sababahpoa@hotmail.com

Aproveita!

É difícil dizer! Não que eu seja um schleper profissional, mas tive os meus momentos. Na verdade, depende muito do que entendemos por shleper. Quando nossos avós chamam alguém assim, querem se referir a alguém menos apegado a questões de limpeza. Aqui, o contexto é ao menos um pouco diferente.

Pensando em minhas experiências schlepers, fica difícil não lembrar da época em que, morando na Nova Zelândia, exerci a nobre, porém pouco valorizada, profissão de obreiro. Durante esse período (pequeno, felizmente!), trabalhei em uma futura estação de metrô, localizada na avenida mais movimentada de Auckland, repleta de executivos. Ao final do dia, enquanto os outros trocavam de roupa e pegavam seus carros, eu tomava o caminho de casa – o albergue mais barato, fedorento e mal frequentado da cidade – a pé, com as roupas do trabalho, passando, não sem certo constrangimento, por pessoas limpas e bem arrumadas. Se minha vó visse (ou pior, cheirasse) minhas roupas, certamente diria que eu era um grande shleper.

Mas houve momentos mais schlepers ainda. Por exemplo, quando dividíamos nosso apartamento em Sydney com pombos e baratas, estas tão bem treinadas que somente apareciam na cozinha a partir da meia-noite. Isso sem contar que no apartamento de dois quartos moravam dez pessoas. Outra vivência schleper foi viajar pela Tailândia sem, praticamente, calçar tênis ou chinelos, pisando no que fosse, desde praias maravilhosas a banheiros imundos. Devo dizer que a experiência, apesar de pouco higiênica e arriscada, foi bastante lucrativa, pois olhando constantemente para o chão era comum encontrar algum dinheiro.

Atualmente, a vida de advogado exige mais formalidade na hora de me vestir, de modo que passeios descalços pelo Centro de Porto Alegre estão fora de questão. É verdade, também, que passei a valorizar muito mais uma cama limpa, além de que espero não precisar voltar a ser obreiro. No entanto, a lembrança de momentos tão precários não deixa de evocar uma época de muita alegria. Quem me visse na rua podia até achar que eu era um schleper, e, de fato, eu era um. Um schleper... feliz.

Já sabe quem é? Desiste?

É o Ricardo Heller! Com 26 anos, ele participa do grupo Ofakim. O que você achou da coluna? Poste seus comentários!

Ricardo Heller aceitou na hora a participação no quadro "Quem é esse Schleper?"

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